Buscando referências negras e feminismo

Como já falei em outro post a gravidez me fez entrar em contato maior com a natureza e o que a gente manda pro universo e ele responde. E dentro dessa natureza (que não é só aquela de folha e mato) está a história negra, de como o corpo da mulher negra é um templo, discriminado e menosprezado.

A mulher sofre discriminação em todos os aspectos, se sabe "cuidar" da casa ou não, do marido ou não, filho ou não, de si mesma ou não (cuidar aqui entende-se como a sociedade machista entende como cuidar), se trabalha e em qual trabalho ela deve trabalhar, a roupa, a fala, os gestos, e por aí vai.

Quando se trata da mulher negra a coisa consegue piorar. Além do nosso corpo ser supererotizado, além do sexo, só servimos para cargos que não é exigido cursos de especialização, pois quando temos a ousadia de ser mais, somos chamadas de "empregadinha".

A beleza negra popular está diretamente atrelada a traços brancos: negras de pele clara, negras de nariz fino, negras de boca fina, negras com sardas, negras com cabelo liso ou um cacho bem modelado, negras magras, ...

Bom, eu sou uma mulher negra, com olhos grandes, boca grossa, cabelo cacheado, gorda, feminista, jornalista, professora, esposa, filha, mãe.

É muito difícil se definir, porque cada um sabe o oceano de coisas que se é.

Durante toda a transição que é a gravidez eu esbarrei em muitos "eus" que eu queria ser, que tipo de mãe? Que tipo de mulher? Que tipo de esposa? Que tipo? Não tem tipo. Não quero um padrão, quero ser o que acredito e quero que meu filho seja quem ele acredita. Não quero me encaixar, não tenho mais essa necessidade de me encaixar em algo que não sou eu.

Ser mulher negra é ser resistente, mesmo não querendo. Mesmo quando tudo que a gente queria era paz na mente, as vezes fechar os olhos e viver na bolha que muitos vivem, só tentar seguir, mas não dá pra seguir sem esbarrar no preconceito, no machismo.

Eu ouço muito falar das grandes mulheres negras que lutaram por nossos direitos, por nosso espaço, voz e cor. Mas hoje tenho me orgulhado muito de algumas mulheres que lutam, mas que vivem no mundo de hoje. É tão importante ver como a Taís Araújo luta, Beyoncé, Camila Pitanga, Stephanie Ribeiro, Bell Rocha, Taya, e outras, como elas falam por nós e eu me sinto bem representada. A voz delas chega em mais lugares que a minha, mas me dá força pra falar mais alto. Obrigada!

Às mulheres pretas grávidas que estão na luta, continuemos.

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