Meu primeiro trimestre foi o terror!

O meu primeiro trimestre da gravidez foi um dos piores da vida.

Então, descobri que estava grávida no último fim de semana de janeiro, esperei até segunda feira pra fazer o exame de sangue, mas no dia decidi fazer a ultra transvaginal pra não ter dúvidas.

Acontece que não é recomendado fazer logo a ultra, porque com 4 semanas não da pra ver nada. O que pudemos observar foi que minha vesícula vitelina estava muito espessa, o que poderia indicar uma gravidez, mas não era nada certo. Só serviu pra eu ficar mais maluca ainda, porque eu já tinha aceitado a ideia de que eu estava grávida. O médico pediu que eu retornasse em uma semana para fazer uma segunda ultra e ver se algo mais aparecia.

Ok, passou a semana e sábado fui trabalhar, quando cheguei no curso em que dou aula fui ao banheiro e vi que tinha sangrado, um sangue escuro, parecia borra de café. ENTREI EM PÂNICO.

Liguei para o Victor desesperada, não tinha plano de saúde, o que eu ia fazer? Liguei pra minha mãe e ela disse que eu fosse pra casa dela que ela e meu pai me levariam na emergência do Mário Lioni (um hospital particular aqui). O problema é que eu estava transtornada estava a uns 15 km da casa da minha mãe, como eu iria dirigir?

Ali, exatamente naquele momento, eu soube que eu queria ser mãe mais que tudo, mais que a mim, mais que tudo que já quis na vida. A remota possibilidade de não conseguir levar adiante uma pessoa que eu nem sabia exatamente se existia, fez meu mundo desabar.

Dirigi que eu nem me lembro muito do caminho, cheguei na minha mãe. Eu só sabia chorar, todos tentando me deixar mais calma, o Victor foi pra lá também. Chegando no hospital fui atendida pela emergência e o médico veio me dar o toque, ele disse que meu colo estava bem fechado, o que indicava gravidez e era bom. Me encaminhou para ultra.

Eu tinha quase 5 semanas de gravidez, ainda muito no início, tive que fazer a transvaginal de novo, tava lá agora, o saco gestacional, mais nada.

Voltei pro consultório e o médico me disse que poderia ser sangramento de implantação, claro que eu não fazia ideia do que era isso. Não sabia de ninguém da minha família que tivesse tido sangramento, tudo era um desespero. Ele disse que quando o embrião se prende a parede do útero muito fortemente, pode sangrar, mas eu não tinha visto embrião ainda, ele disse que é muito pequeno para ver. Me passou remédio pra aumentar minha progesterona e repouso moderado.

Nada daquilo me acalmou, voltei pra casa. A essa altura já tinha olhado monte de coisas na internet. Gravidez anembrionária, gravidez atópica, etc (se quiser saber mais dessas coisas, só dar um google). Nessa época de fevereiro o calor estava INSUPORTÁVEL. O médico tinha me dito pra ficar moderadamente em repouso, desconsiderei, fiquei em repouso absoluto. Eu tinha certeza que eu estava com descolamento de saco gestacional.

Tive que remarcar o primeiro médico da ultra para a outra semana pois tinha medo que aquele exame invasivo da transvaginal me fizesse sangrar de novo. Então na outra segunda feira voltei, estava com 7 semanas. Entrei no consultório com o Victor, senti aquele gel gelado em mim. Orei. Pedi. Implorei. Lá estava, o embrião, o batimento cardíaco, aquele maravilhoso som que é exatamente como um trem, rápido, apressado, vivo. Chorei, muito.

Finalmente ele estava ali, o médico me disse que eu tive um descolamento de saco gestacional, como eu achei mesmo que tinha tido e me disse que foi ótimo eu ter ficado em repouso absoluto (será que instinto materno existe?).

Nossa, esse texto tá ficando enorme.

Finalmente meu plano iniciou e eu pude ir a ginecologista iniciar o pré natal e tirar minhas dúvidas, ela me passou exames laboratoriais, descanso, e um exame de imagem pra ser feito somente na 13ª semana (pra mim, uma eternidade pra ver ele de novo).

Eu estava muito fragilizada, queria apoio, queria carinho, mas na verdade, eu queria mesmo era certeza.

Meu carnaval foi HORROROSO. Não tínhamos muito o que fazer, eu estava enjoando MUITO MUITO MESMO, teve briga na família. No fim de semana depois do carnaval, resolvemos ir para Petrópolis e tirar dois dias de folga de toda aquela maluquice. Eu estava com 8 semanas de gravidez.

Foi bom, apesar de todo o enjoo (Vou fazer um outro texto falando sobre o enjoo da gravidez, que não é normal), tirei uma foto e anunciei que estava grávida (escolhi mal a hora).

Foi aquele boom!! Todos me mandando amor, energia positiva, emoções, e... perguntas. Eu não tinha certeza que estava tudo bem com ele ou ela, eu simplesmente não conseguia retribuir aquela animação, aquela satisfação e alegria. Claro que minha "falta de sentimentos" foi mal interpretada como desdém, "nariz em pé", etc.

Medo e solidão, eu só tinha medo de ter falado algo que não era verdade, e assim me enclausurei, não quis falar mais com ninguém até fazer aquele exame de imagem na 13ª semana (segundo trimestre).
Esse primeiro trimestre foi terrível, triste.

Concluindo, quando fiz o exame de imagem, já no segundo trimestre, lá estava ele, mais lindo do que qualquer imagem que eu já tinha visto. Mexendo, dançando pra mim, enchendo meu coração de amor e vida. <3

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